segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Bip! Bip! Bip! Bip! Bip! Bip! Bip! Bip! Bip!

Ai o caralho do filha da puta do despertador que já está a acordar-me. Que horas são? 17H. Bom, se calhar ele até tem razão. Hum...sinto-me tão bem na minha caminha. A minha caminha tem lençóis de algodão branco como a neve e são fofinhos como as nuvens. Ah! O meu quarto é o melhor quarto do mundo, tenho a minha caminha e está dentro da minha casa. Por sinal é uma bela casa, cheia de comida, piscina, relvado para dar uns toques na chicha, um plasma para ver os jogos de futebol e a minha caminha que é grande. Tão grande que posso estar a foder com duas cabras ao mesmo tempo e ainda sobra espaço.

Que merda de documentário é este. Estes gajos do Odisseia às vezes têm com cada afananço. “O que é a pobreza?” Eu digo-te caralho. A pobreza é ser-se estúpido que nem uma porta para apanharmos essa doença do ser pobre. Foda-se, morar na rua, andar descalço, mijar nas calças, mendigar, adormecer com fome, perder a dignidade.



Dignidade: qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; gravidade; grandeza; modo digno de proceder; respeitabilidade; cargo elevado; cargo especial num cabido; honraria; autoridade; nobreza; princípio moral baseado na finalidade do homem, e não somente na sua utilização como meio; ― humana: valor particular que tem todo o homem como pessoa; moral da ― humana: doutrina segundo a qual o princípio ético fundamental é o respeito da pessoa humana em si mesma e nos outros.



Nunca na vida hei-de ser pobre. Apesar de eles fazerem falta neste mundo. Senão vejamos, nos últimos anos têm havido uma explosão demográfica especialmente nos países subdesenvolvidos. O nosso planeta não é ilimitado no seu espaço físico, há-de chegar a um ponto onde a pressão demográfica torna-se incomportável e é aqui que entram os pobres.

Factos. A cada ano, seis milhões de crianças morrem de subnutrição antes de completarem cinco anos de idade. A cada 30 segundos, uma criança africana morre de malária – num total de mais de um milhão de mortes infantis por ano. Cinco milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem em cada ano devido a doenças ligadas ao contacto com a água.

Todas estas mortes provocam um alívio na pressão demográfica, logo aumenta a minha qualidade de vida e dos meus descendentes. Vendo bem isto é como as promoções que os supermercados têm dos detergentes da loiça ou champôs, o chamado 2 em 1. Muitas destas mortes são de crianças, Yupi!, são menos uns milhões que andam sempre a chorar e a fazerem birras porque gostam daquilo e não disto, menos fraldas para mudar e logo aí são menos árvores da floresta tropical abatidas, mais tempo para os pais puderem foder à vontade sem preocupações de os filhos aparecem no quarto a dizer que têm um monstro debaixo da cama. Outra, existem mais de 800 milhões de pessoas que vão para a cama com fome todos os dias. Eu parto do princípio que são todos magrinhos, logo precisam menos espaço para viverem e lá voltamos ao mesmo. Alivia-se a pressão demográfica.

Depois ainda temos a parte das doenças tropicais e venéreas. Temos pena, escolhessem um país duma latitude diferente e aprendam a usar o preservativo. Não me parece que a sua função seja enfeitar o pirilau. Preferencialmente o preservativo preserva os sexualmente pressurosos que preferem prorromper a sua libido. Sobre as mulheres não há muito a dizer. As funções delas são simples, fazer comida, lavar loiça, limpar a casa, aturarem as crianças e abrirem as pernas sempre que o homem desejar. Nunca podem falar num tom de voz mais elevado que o homem, nunca questionar (mesmo que o companheiro chegue a casa bêbado a cheirar a perfume de mulher e com marcas de batom), nunca podem sair com amigos homem. A quebra de qualquer uma destas regras tem duas sanções possíveis. Uma galheta nos cornos ou serem açoitadas com uma cana de bambu.

Analisando todas estas situações de uma forma mais coerente eu gosto dos pobres. São eles que me fazem sentir rico. Alimentam-me o ego. Sinto-me poderoso, o que é uma sensação bastante agradável. A sua existência possibilita-me o poder de passar por eles nas ruas da cidade sem sequer confrontá-los com o meu olhar. Desprezando a sua necessidade de esmola, provoco-lhes a intensificação da sensação de serem invisíveis, ninguém os ama, ninguém os quer, recorrem a drogas para entorpecerem o tempo.

Amo a minha vida. Fumo as ganzas que quero, vou pós copos no Bairro Alto, nas discotecas a curtir as malhas do momento, compras nas lojas da moda, andar de carro e gastar gasolina quando posso andar a pé, jantar fora, ir às putas, perfumes Calvin Klein, ver concertos das minhas bandas preferidas, viagens a Marrocos, Itália, Brasil.

Como é bom não ser pobre!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

“Numa explosão de vida ao longo de milhões de anos, esses primeiros organismos começaram a multiplicar-se. Até terem parado. Há 440 milhões de nãos, uma extinção em massa acabaria com quase todas as espécies do planeta, deixando os vastos oceanos dizimados e vazios. Lentamente, desenvolveram-se as plantas; depois, os insectos, para voltarem a desaparecer numa segunda extinção massiva da Terra. Este ciclo repetir-se-ia vezes em conta. Os répteis que trocavam o mar pela terra firme acabavam por morrer, e os dinossáurios lutavam pela sua sobrevivência, juntamente com as primeiras aves, peixes e plantas com flor. Foram a quarta e quinta extinção massiva ocorrida na Terra. Apenas há 100 mil anos surgiu o Homo Sapiens, o Homem. Desde as pinturas rupestres à Bíblia, a Colombo e à Apolo 11, temos constituído uma poderosa força na Terra e fora dela, catalogando o mundo natural que se nos revela, até alcançarmos uma população de mais de 5 mil milhões de seres todos descendentes daquela célula original, a primeira centelha de vida. Mas, por muitos conhecimentos que tenhamos, o que ninguém sabe de certeza é o quê, ou quem, terá ateado essa primeira centelha. Existirá algum plano, ou razão para a nossa existência? Cairemos, como os que nos antecederam, no esquecimento, numa sexta extinção que os cientistas nos dizem já se encontrar em curso?”



Scully in X-Files TV Series
“Tudo começou com um acto de uma suprema violência, uma explosão que se continuou a expandir para fora, um cosmos nascido de matéria e de gás. Matéria e gás. Há dez mil milhões de anos. De quem terá sido a ideia? Quem terá tido a audácia de tal invenção? E por que razão? Nós já fazíamos parte desse plano de há dez mil milhões de anos? Será que nascemos apenas para virmos a morrer? Para crescermos e nos multiplicarmos na Terra, antes de darmos lugar a outras gerações? Se existiu um princípio, terá de existir um fim? Seremos fogo enquanto vivemos, para, depois nos extinguirmos, rendendo-nos às eternas exigências dos elementos? Matéria e gás. Terminará isso algum dia, em que a vida não mais originará vida? E em que a Terra ficará estéril, como as estrelas, como o cosmos? A mesma mão que nos acendeu a chama permitirá que ela se apague? Viremos, também nós, a extinguir-nos? Ou, se este fogo da vida que temos em nós for para continuar aceso, quem é que o decide? Quem é que toma conta da chama? E poderá reacender a centelha, quando ela esfria e enfraquece?”


Scully in X-Files TV Series